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domingo, 30 de outubro de 2016

Após transar com 5 mil mulheres, ator pornô mais célebre do mundo conta a sua história em documentário.

'Quando o sexo controla o seu corpo, ele vira o seu demônio', diz Rocco Siffredi. A mãe, dona de casa e católica fervorosa, sonhava em vê-lo usando batina, celebrando missas em Ortona, a simpática porém provinciana cidade onde a família se estabeleceu. 

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Ainda muito jovem, chegou a vestir a roupa de coroinha, ajudando o padre da paróquia. Mas Rocco Tano, ou Rocco Siffredi, como o mundo da indústria pornográfica viria a conhecê-lo, desde a tenra idade soube que seria impossível realizar os desejos da amada mamma, já falecida.
Quando o sexo controla o seu corpo, ele vira o seu demônio. Acho que minha sexualidade começou a se manifestar lá pelos meus 8 anos de idade. Mas, quando revelei para a minha mãe que queria fazer filmes pornôs, ela até que aceitou bem, à maneira dela, a minha decisão — contou o falante Siffredi, 52 anos, à reportagem do ELA durante o Festival de Veneza, em setembro, onde o documentário “Rocco” fez sua estreia mundial.
Dirigido pela dupla Thierry Demaiziere e Alban Teurlai, o filme traça um retrato íntimo do astro pornô, apelidado de “o garanhão italiano”, que participou de mais de 1.500 produções adultas e transou com cerca de cinco mil mulheres em 30 anos de carreira. Nele, vemos um homem disposto a se abrir sobre os demônios que o assombram — além daquele que vive “entre as minhas pernas”—, e o impacto de uma vida de excessos carnais na relação com a mulher, Rosza, e os dois filhos, Lorenzo, de 20 anos, e Leonardo, de 16.
A formação religiosa e a necessidade de contar com a benção dos pais parecem estar na origem do conflito de consciência que o persegue desde a juventude. Nascido em uma família de poucos recursos, Siffredi diz que abraçou o sexo como profissão para dar mais conforto à família — mal completara 20 anos quando posou como modelo para revistas pornográficas. A paz com o pai e com a mãe — abalada com a morte prematura de um dos filhos — não aconteceu sem alguma trepidação.
— Acho que ela sequer sabia o significado de pornografia. Um dia, encontrei uma revista pornô com fotos minhas no criado mudo do quarto dela. Ao confrontá-la, ela me perguntou: “Mas você põe (o seu pênis) dentro (delas)?”. Eu respondi: “Não, a senhora não está vendo direito; eu disfarço, ponho pelo lado ou por trás.” Encontramos uma forma de falar sobre sexo. Até meu pai, que nunca havia tocado no assunto comigo, só começou a falar sobre sexo depois que me tornei ator pornô. Foi uma forma dele se liberar.
VICIADO EM SEXO
Siffredi diz que precisou “deixar de ser italiano”, ou seja, superar a visão católica sobre sexo, para concretizar seu sonho. Sexo não é bom, não é assunto para conversas em casa de família.
— Meus parentes disseram que eu não poderia tocar nos filhos deles. Quando comecei a fazer pornô, o médico da minha família me chamou no consultório dele e me disse que eu seria um homem amaldiçoado, que contrairia doenças e não teria família, todo tipo de coisa ruim. Ouvi tudo aquilo e, ao fechar a porta do consultório atrás de mim, decidi mandar tudo às favas e reafirmei a minha decisão. Foi a melhor coisa que fiz. Até hoje não me arrependo — conta.
O ator deixou Ortona — e a Itália, que nunca foi muito receptiva à indústria pornô — para rapidamente se tornar uma celebridade do entretenimento adulto, na frente e atrás das câmeras. O apetite sexual e as dimensões de seu “instrumento de trabalho”, que surge em todo seu esplendor na abertura do documentário, rapidamente o transformaram em uma lenda do mundo do sexo hard core — uma fama que atravessou o oceano, chegando rapidamente aos Estados Unidos. Embora levasse uma vida saudável (“não bebo, não uso drogas”) e seguisse à risca os procedimentos padrões da indústria pornô com relação à prevenção de doenças sexuais, Rocco sempre encarou a Aids como “um risco inerente à profissão”. Perdeu vários colegas de trabalho para a síndrome no auge da epidemia. Foi testemunha de casos mais trágicos, de companheiros que tiraram a própria vida quando se descobriram contaminados com o HIV.

Vi acontecer duas vezes comigo, no set. Uma vez, em Praga, um colega se matou no banheiro. Em outra ocasião, nos Estados Unidos, um outro deu um tiro no próprio rosto enquanto filmávamos. Ambos envolveram drogas, porque quase todo mundo as usa nesse negócio — observa Siffredi. — Mas esse tipo de tragédia só acontece graças à sociedade, que não nos aceita. Os atores pornôs ganham dinheiro com o seu trabalho, mas não podem sentir orgulho do que fazem porque a sociedade nos vê como prostitutos.
Siffredi afirma que os primeiros 20 anos de carreira foram um “paraíso”: sucesso nos negócios, muitas mulheres e experiências sexuais. A coisa começou a mudar de figura pouco tempo depois do casamento com Rozsa, ex-miss Hungria, que conheceu durante o Festival de Cannes, no início dos anos 1990, e com quem resolveu construir uma família. Houve um momento em que o ator se viu transformado novamente “em um italiano”, com todo o peso cultural que o título carrega.
— Um dia, percebi que meus filhos estavam crescendo e me senti envergonhado. Eles estavam chegando a uma idade em que começavam a entender o que o pai fazia para viver. É difícil para um ator pornô conversar com os filhos sobre sexo. Minha mulher tomou o meu lugar nessa função. — recorda Siffredi, que chegou a anunciar a aposentadoria ao completar 40 anos, mas voltou atrás. — Não é fácil parar, assim, de uma hora para outra. Minha mulher me disse: “Se você parar e ficar saindo com prostitutas, é melhor voltar a trabalhar”.

Rozsa sugeriu que eu fizesse algum tipo de terapia. Mas não é do meu caráter procurar ajuda. Lutei contra todos quando decidi fazer pornô: contra a família, atores italianos, que me sabotaram na França, e os americanos, quando fui para lá. Consultar uma sexóloga significaria que sou um fraco — argumenta. — Não sabia que era um viciado em sexo. Confesso que é difícil depois de décadas transando duas a três vezes ao dia, por 20 dias do mês.
*Especial para O GLOBO

FONTE:OGLOBO-CARLOS HELÍ DE ALMEIDA*
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