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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Sem leito de UTI, adolescente morre após entrar em trabalho de parto.

Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, morreu na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução/EPTV)

Jovem de 15 anos sofreu convulsões e atestado aponta morte por eclampsia. Hospital diz que tinha vaga, mas médico manteve jovem em recuperação.(VEJA FOTOS E +)



Família diz que jovem estava bem
Angélica conta que Maria Eduarda realizou todos os exames do pré-natal e nenhum deles apontou algum tipo de problema com ela ou o bebê. Na madrugada de domingo (15), já com 36 semanas completas de gestação, a adolescente entrou em trabalho de parto.
“A gente foi para a Santa Casa andando, rindo, brincando, ela estava bem. Ela não sentia nada, só as contrações, porque já estava em trabalho de parto. Ela não teve alteração na pressão. Nunca foi alta a pressão dela”, afirma.
A vendedora relembra que Maria Eduarda deu entrada no hospital por volta de 5h e os médicos decidiram aguardar o parto natural. No início da tarde, sentindo muitas dores, a jovem chegou a pedir que fosse realizada uma cesárea.
“Eles falaram que tinha 10 centímetros [de dilatação], e ela começou a falar que não estava aguentando mais. Ela começou a não falar coisa com coisa, a repuxar a perna e eu chamei o médico. Ele disse que podia ser cansaço”, conta a irmã.
Por volta de 22h, ainda de acordo com Angélica, a adolescente teve a primeira convulsão e a equipe decidiu levá-la para o centro cirúrgico, onde foi realizada a cesárea. Nycollas nasceu com uma infecção e foi internado. Maria Eduarda sofreu outras convulsões.
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Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, morreu na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução/EPTV)Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, morreu na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução/EPTV) Sem leito de UTI“O médico veio avisar que ela tinha entrado em coma induzido e que precisava de uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Só que a Santa Casa não tinha leito de UTI disponível. No outro dia ela teve que ir para a sala de emergência”, relembra Angélica.
Segundo a irmã, Maria Eduarda passou 30 horas em coma e respirando com a ajuda de aparelhos, enquanto aguardava transferência para outro hospital que tivesse uma vaga em UTI. Ela morreu na madrugada desta terça-feira (18).
“O pobre sofre um descaso total. Se fosse particular, alguém que tivesse dinheiro para pagar um quarto, acho que conseguiria. Existe UTI particular, mas a gente não tem dinheiro, não tem condições. Ali era, simplesmente, uma sala de emergência”, reclama.
Negligência
A família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. O advogado Edson Garcia afirma que já pediu os prontuários referentes ao pré-natal e aos procedimentos realizados na Santa Casa para entrar com um processo contra o hospital por negligência.
“Foi um parto muito comprido. Apesar de a irmã ter solicitado para o profissional fazer uma interferência cirúrgica, não foi feito, só no final do expediente. Intriga a maneira que se operou: deixá-la 17 horas em trabalho de parto, uma criança, uma adolescente”, diz.
Suposto caso de racismo ocorreu durante atendimento na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução EPTV)Garcia destaca que o fato de Maria Eduarda ter sido tratada em uma sala de emergência, quando precisava de cuidados específicos de uma UTI também reforçam a acusação de descaso por parte da Santa Casa.
“O leito poderia ter evitado o dano maior, que foi o óbito dela. Ela saiu de um pós-cirúrgico, precisava de um tratamento intensivo e não conseguiu por falta de vagas. O responsável nesse caso é o Estado ou as pessoas que estão por trás daquela instituição”, afirma.
Santa Casa de Barretos diz que médico optou por deixar a jovem na sala de recuperação (Foto: Reprodução EPTV)FONTE: Do G1 Ribeirão e Franca
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