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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Atores pornôs contam como sobrevivem à crise.

Angel Lima foi eleita melhor atriz pornô hétero.Está difícil manter-se ereto no mundo pornográfico, já que os cachês, que podem variar de R$ 300 a R$ 900 a cena, não andam dando muito tesão. Como a carga horária deu uma brochada há um tempo, por causa da internet e da pirataria, estrelas de produções brasileiras estão contando com outros consolos para terem algum prazer no fim do mês.(VEJA FOTOS E +)





Faço isso há 10 anos e hoje em dia está bem ruim. Não dá para viver só disso. Houve época em que fazia 30 cenas no mês. Hoje faço a metade — lamenta Rodrigo Alemão, que na última terça-feira levou o troféu de Melhor Cena de Fetiche, com “Pés do prazer”, numa premiação da indústria pornô, em São Paulo.
Alemão diz que trabalho diminuiu pela metadePara complementar a renda, Alemão conta com outros serviços:
— Faço tudo. Trabalho como tatuador, pedreiro, pintor...
Alemão diz que trabalho diminuiu pela metade Foto: Luiza Souto
Bia Bastos, de 25 anos, conta com a renda de seu salão de beleza e os trabalhos como cabeleireira para sobreviver. Transexual, ela relata que é ainda mais complicado lucrar no meio.
Transexual, Bia Bastos fala que indústria pornográfica deu enfraquecida.
— Como nosso cachê é baseado no dólar, hoje pagam pouco. Nesses cinco anos fazendo filmes, já houve época em que gravava 10 cenas no mês. Hoje estou fazendo de duas a três produções e tem mês que nem faço.
Atenta às novas plataformas de comunicação, a atriz correu para a internet e hoje faz strip em frente à câmera do computador.
— Aí dá um bom dinheiro. Você consegue tirar mil reais por semana. Mas tem que se dedicar, porque é 24h, e como muito homem é comprometido, eles preferem acessar de manhã ou no fim da tarde. Tem quem faça programa. Se eu dependesse só de filme, talvez toparia.
Transexual, Bia Bastos fala que indústria pornográfica deu enfraquecida. Foto: Luiza Souto
Também transexual, Carla Novaes, de 29, é mais otimista com o mercado LGBT. Há 10 anos no ramo, ela aposta no gosto pelo trabalho para se destacar.
— Trabalhava como acompanhante e me convidaram para um teste. Foi fácil. Gosto de sexo. Achei curioso e o que me dava tesão era a situação, todo mundo me olhando. Como tenho 10 anos de carreira, hoje sou chamada para muitos trabalhos, mas para quem está começando, é meio complicado — opina ela, que fazia 30 cenas no mês, e hoje grava cerca de oito.
Loirona e corpo escultural, Carla entrega a vontade de operar o sexo, mas revela que seu documento é o segredo do sucesso.
— Lá fora (EUA e Europa), cenas trans bombam. Se operar, perde o encanto. Até queria, mas vi que os homens gostam disso. Sabe como é, né? Não mexa no time que está ganhando... — aconselha a cabeleireira.
Representante da produtora Panda, que preferiu não revelar o nome, enfatiza que o mercado não está crescendo, “mas também não está em queda”:
A transexual Carla Novaes diz que não vai operar porque o documento faz sucesso.— Estou no mercado há 15 anos e hoje conto com a criatividade. Sentimos a crise, a alta do dólar, mas consigo produzir, em média, 40 cenas por mês. Não estamos crescendo, mas sobrevivendo.
A transexual Carla Novaes diz que não vai operar porque o documento faz sucesso. Foto: Luiza Souto
O premiado diretor Marco Cidade, de 26 anos, diz que a indústria ainda está se recuperando do golpe dado pela pirataria e também aposta na criatividade para seguir:
Nicolle Bittencourt se aposentou da indústria pornográfica.— Todo mundo foi para a webcam, então a gente está tendo que apresentar um material bem diferencial.
Após ser premiada na categoria Melhor Cena de Orgia, com “Garotas da Van em Prince, o Gostosão”, Nicolle Bittencourt, de 27 anos, anunciou sua aposentadoria. Depois de cinco anos de pornô, diz que quer focar na carreira de modelo — e num melhor salário.
— Era apresentadora e recebi o convite para gravar. Gostei e não me arrependo. Meu sonho era ser atriz pornô, mas hoje quero encerrar — pontua ela, que hoje assina como Débora Dunhill.
Para ganhar bem no meio, orienta Nicolle, é preciso estar aberta a ideias. Quem transa sem camisinha, por exemplo, ganha R$ 500 a mais do que quem prefere se equipar. Sexo anal também rende uma grana maior.
Nicolle Bittencourt se aposentou da indústria pornográfica. Foto: Luiza Souto
Pérola Mineira é estreante na indústria pornô.Pérola Mineira, de 28 anos, está na contramão da loira: resolveu entrar para a indústria pornográfica há pouco mais de um ano. Stripper profissional, ela conta que está em busca de “algo extraordinário” para se destacar no meio:
— Valorizam mais quando a gente tem experiência com show erótico, e o cachê é melhor. Até agora estou gostando, mas ganho mais como stripper.
A mulher endossa que o uso do preservativo determina o cachê:
— Quando você não usa, ganha dez vezes mais. Mas ainda não fiz sem. Recebi a proposta e estou pensando.
Pérola Mineira é estreante na indústria pornô. Foto: Luiza Souto
Hoje apostando na carreira de apresentador, Kid Bengala, de 60 anos, pegou uma outra época da indústria pornográfica. Com as dezenas de filmes que fez desde o início dos anos 90, o ex-ator diz que investiu em imóveis e não descarta voltar à ativa.
— O mercado oscilou muito por causa da pirataria e internet. Hoje a gente tem que inovar. Estou me virando conforme a música, curtindo a nova tarefa, mas aos 60 anos ainda dou no coro — enfatiza o homem.
Aos 60 anos, Kid Bengala diz que ainda está na ativa.Aos 60 anos, Kid Bengala diz que ainda está na ativa. Foto: Luiza Souto
Vencedora do prêmio de Melhor Atriz Hétero, por “Tudo pelo prazer”, Angel Lima, de 25 anos, não consegue enxergar luz no fim do túnel.
— Atualmente não dá para sobreviver disso e não vejo perspectivas de melhorar. Sobrevivo com eventos e trabalho de stripper — conta ela, que diz receber cerca de cinco mil reais por mês: — Tem que gostar do que faz! Eu não topo tudo. Já recebi convite para gravar com travesti, mas não aceitei. Nem faço nada com animais.

FONTE: Luiza Souto-EXTRA
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