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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Brasileiro usa furadeira para operar jaguares e rinocerontes na África.

Jaguar de mais de 130 quilos foi operado por brasileiro na Colômbia (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)

Roberto Fecchio é de Santos, litoral paulista, e coordena laboratório na USP. Trabalhos envolvendo odontologia animal ainda são escassos. Um médico veterinário de Santos, no litoral de São Paulo, tornou-se referência em tratamento odontológico de animais selvagens no País e tem viajado o mundo para ensinar suas técnicas.(VEJA FOTOS E +) O trabalho internacional mais recente foi realizado em abril deste ano na Colômbia, onde o profissional operou um jaguar de mais de 130 kg. Segundo Roberto Fecchio, as infecções na boca e problemas dentários são extremamente comuns em animais, e podem acometer outros órgãos, como coração, fígado e rins.

Equipe multidisciplinar participou da cirurgia (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)“São pouquíssimos profissionais no mundo que atuam nessa área, então, esses poucos sempre são cogitados para cursos, aulas e palestras. Na Colômbia, aproveitei para fazer o tratamento de canal de um jaguar, como uma aula prática, para compartilhar a técnica e o conhecimento” explica.O especialista já foi convidado a participar de eventos na África do Sul, Chile, Peru e, mais recentemente, da Conferência Internacional sobre Medicina de Animais Selvagens, dentro do Parque Temático Jaime Duque, na Colômbia.
Furadeira foi usada para tratar rinoceronte na África (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)“É preciso uma equipe multidisciplinar para fazer tudo isso. Há profissionais para aplicar a anestesia com dardos, monitorar o animal, colher sangue para exames, realizar ultrassonografia, tratamento dentário, e por aí vai. Na mesa de cirurgia mesmo, demora umas duas horas e meia”, detalha.O veterinário relata que o procedimento completo no animal levou cerca de quatro horas, desde a captura do jaguar, com sedativo e aplicação de anestesia, até o tratamento em si. Outra parte importante, segundo ele, é garantir a segurança dos profissionais. Por isso, o bicho é amarrado durante o transporte.
Sadativo é disparado à distância para manter segurança (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)Atualmente, Fecchio realiza o atendimento a animais selvagens junto ao Laboratório de Odontologia Comparada (LOC), da Universidade de São Paulo (USP). O espaço é o primeiro centro da América Latina para pesquisa e atendimento avançado na área de odontologia veterinária e cirurgia de face de animais. Um grupo de especialistas, chefiado por ele, denominado Equipe Zoo, também oferece assessoria para 11 zoológicos do País. Mesmo com mais de 10 anos de experiência, o veterinário destaca que os trabalhos envolvendo odontologia animal ainda são escassos e a situação complica ainda mais no caso dos selvagens. “Temos pouca literatura sobre isso, então, todas essas palestras e cursos também servem para a publicação de livros e trabalhos científicos sobre o assunto, para ampliar o conhecimento”, reforça.
Além da literatura escassa, os aparelhos utilizados nos processos cirúrgicos são todos importados. Em alguns casos, é preciso adaptar ferramentas do dia a dia, o que torna a situação mais complicada.
Veterinário também já realizou atendimento em leão  (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)“Para tratar o canal de dentes de hipopótamos, rinocerontes e marfins de elefantes, muitas vezes usamos furadeiras e brocas domésticas. Infelizmente, os equipamentos são poucos e o material usado em seres humanos muitas vezes não serve para animais, sejam eles de grande ou pequeno porte”, detalha Fecchio, que viajou em 2011 e 2012 para a África do Sul, onde participou de tratamentos em grandes animais em uma reserva ecológica.
Roberto Fecchio é referência em trabalhos internacionais  (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)Segundo o veterinário, os animais domésticos também deveriam receber tratamento bucal. “Muitas vezes, o problema está em casa. Muitos cães e gatos possuem problemas dentários e deveriam ser levados a um especialista uma vez por ano”, conclui. Roberto Fecchio é referência em trabalhos internacionais (Foto: Roberto Fecchio / Arquivo Pessoal)
FONTE: Orion Pires- G1 Santos
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